Importa alertar para os riscos da gravidez na adolescência. A erotização dos jovens em idades cada vez mais tenras levou a uma avalanche de adolescentes grávidas, nas regiões de periferia da capital, onde as adolescentes tem menor acesso aos métodos anticoncepcionais adequados para a idade delas, a evasão escolar das meninas a partir dos 14 anos é clara, por exemplo na Restinga dos 7 aos 14 anos 96% das meninas estão na escola e dos 15 aos 19 este percentual baixa para 22% e elas deixam a escola não porque terminaram o nível médio e sim porque engravidaram. A gravidez na adolescência, principalmente a indesejada, é um importante problema de saúde pública no Brasil em especial em Porto Alegre.

A gravidez na adolescência é por definição da ciência obstétrica uma gravidez de ALTO RISCO associada a aumento da mortalidade de mães e nenês, por isto ela pode ser comum mas não é normal. A terceira causa de morte de meninas antes dos 18 no Brasil são complicações da gestação e parto. A prematuridade também apresenta índices elevados quando a mãe é uma adolescente, sendo que a prematuridade é a maior causa de morte entre nenês com menos de um ano de idade.

Desde 2019 o Artigo 8ºA do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) institui a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, a ser realizada anualmente na semana que incluir o dia 1º de fevereiro, com o objetivo de disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência. Existem muitas razões para que isto aconteça.

Entre os novos grupos de risco para o contágio por HIV, o vírus da AIDS, estão os jovens e adolescentes. Por terem crescido em uma sociedade que conseguiu controlar razoavelmente a AIDS se permitem uma postura de exposição às situações de risco e a falsa noção de que não há tanto problema em se expor aos vírus do HIV.  Em Porto Alegre a ausência de políticas públicas robustas de prevenção, informação e educação nos levou a sermos a capital com os maiores percentuais nacionais de contágio pelo HIV. O ECA estabelece que fica a cargo do poder público, com organizações da sociedade civil, realizar campanhas dirigidas ao público adolescente. Ou seja Governo do Estado e Municípios devem realizar estas campanhas.

O tema é de interesse das famílias, a mãe adolescente precisa do apoio maior da família para poder cumprir com as atividades da maternidade. Todos devemos refletir sobre a erotização precoce, sobre a pressão que grupos colocam sobre pré-adolescentes e adolescentes para fazerem opções de natureza sexual e de orientação sexual. A prática do sexo deve ser tema de reflexão e a exposição das crianças a conteúdos eróticos deve ser objeto de cuidados especiais.

Texto: Dr. Thiago Duarte

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